as minhas putas felizes
não quero saber se não vou ver a tua cara outra vez
não quero saber se não haverá amanhã
o vento passou por mim e contou-me
o tempo passou por ti e levou-te
como foi tão fácil mudares de opinião
como foi difícil saber a razão
venerei-te como uma heroína
odiei-te como uma inimiga
escrevi-te poemas na tua pele feita de papel
beijei-te vezes sem conta
invadi a Lua
capturei estrelas com uma meia rota
tornei-me militante da tua luta
vim para a rua protestar
mas a tua mão esquerda esteve sempre no bolso
nunca soubeste o que é viver sem esperança
nunca soubeste a importância da sobrevivência
e o povo sempre te desejou “Bom Dia”com um sorriso rasgado
quem és tu para não acreditar na Revolução?
o que fizeste para seres a arte em pessoa?
estou só... em Portugal
este lugar tem o teu nome
aqui plantaste os teus girassóis
satélites feitos de boémia circense
anões que se enfeitam de palavras
letras ocas que o tempo não perdoa
prefiro morrer junto da minha guitarra
como o velho de Picasso
e de tocar as minhas músicas para quem queira ouvir
não tenho medo de não ser conhecido
de não ser um líder de um rebanho
vejo a minha cara outra vez
é mesma de sempre
não quero saber se não haverá amanhã
porque hoje sinto-me um herói
Vitorino Coragem
